Eu li "Não Sou Uma Dessas"

Não há nada mais corajoso pra mim do que uma pessoa anunciar que sua história merece ser contada, sobretudo se essa pessoa é uma mulher. Por mais que tenhamos trabalhado muito e por mais longe que tenhamos chegado, ainda existem muitas forças que conspiram para dizer as mulheres que nossas preocupações são fúteis, que nossas opiniões não são relevantes, que não dispomos do grau de seriedade necessário para que nossas histórias tenham importância. Que a escrita pessoal feminina não passa de um exercício de vaidade e que nós deveríamos apreciar esse novo mundo para mulheres, sentar e calar a boca.”

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Hoje em dia a maior parte das pessoas tem uma opinião pra tudo, e muitas vezes isso inclui a criadora da série Girls, Lena Dunham.

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Nova iorquina de vinte e poucos anos, Dunham cresceu em uma família privilegiada de artistas, estudou escrita criativa na faculdade e acabou se encontrando no audiovisual. No ar desde 2012, o seriado Girls da HBO é o que fez com que ela fosse quem ela é hoje. Apesar das muitas criticas ao seriado (e muitas delas bem válidas) e à própria artista, ele é um dos grandes nomes da emissora e já foi confirmada uma quinta temporada para o ano que vem.

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No final do ano passado Lena lançou um livro autobiográfico onde “conta tudo que “aprendeu””. De forma não linear, ela conta diversos causos de sua vida, com um tom de humor que as vezes é forte demais.

IMG_6575Uma das partes mais interessante sobre o livro é quando ela fala sobre trabalho. Afinal, uma jovem ainda na casa dos 20 produzir, dirigir, escrever e atuar num seriado para um dos canais norte-americanos de maior prestígio não é nenhum pouco comum – sem contar com o fato de que os homens ainda são a maioria por trás dos filmes e seriados. Lena e suas amigas de infância, Joana Avillez (que fez as ilustrações fofíssimas do livro) e Isabel Halley – que tinha um background parecido com o dela, criaram um seriado online chamado The Dilusional Downtown Divas (alguma coisa com As Delirantes Divas do Centro), o seriado acabou chamando atenção e foi a grande porta de entrada de Dunham. Dá pra conferir alguns episódios no YouTube, o legal é que mesmo sendo meio tosco é aquele tipo de trabalho que as meninas podem ver e pensar “eu também posso fazer um”.

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Do mesmo jeito com que não tem vergonha em aparecer nua na televisão, Dunham aborda questões delicadas como estupro, sexualidade e sua relação com seu corpo. Ela narra diversos casos e encontros não muito bons, de como teve diversos relacionamentos que não eram saudáveis. Para quem assiste Girls, vai ser fácil encontrar diversas inspirações de sua vida que ela usa na ficção. Lena freqüenta terapia desde muito nova e também conta sobre isso no livro, além do TOC que tem e das dietas que fez.

Ainda que o livro possa ser desagradável em alguns momentos, é interessante ver uma pessoa se expor do jeito com que Lena Dunham faz e ver como tudo isso reflete em sua arte.

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