Do trabalho com livros

Você sabe o que um editor assistente faz? Você conhece a produção editorial? Já pensou como seria trabalhar com livros?

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Falar de editorial não é fácil, mas muitas pessoas me perguntam o que eu faço, então decidi resumir bem resumido um pouquinho da função como um todo. E que fique claro que, se eu ganhasse um real para cada item listado de coisas que se tem para fazer na profissão, estava rycah!

Na teoria, a função do editor assistente consiste em “cuidar” do livro do início ao fim. Isso significa passar por todos os processos editoriais a partir da contratação do título até o momento em que o arquivo é liberado para a gráfica. Parece simples, mas planejar dezenas de livros de uma vez não é tarefa fácil; e na prática é tudo isso e mais um pouco.

Depois que a pessoa de aquisição compra os direitos de publicação de um livro, é responsabilidade do editorial enviar o original a um tradutor, em seguida, um copidesque (que vai comparar a tradução com o arquivo original), depois alguém (provavelmente o editor assistente) vai liberar esse trabalho de cotejo, sanar todas as dúvidas e resolver o que tiver pra resolver, passar para as revisões e, por último, solicitar a diagramação. Em paralelo, tem tooooodo um processo para a capa também, assim como orçamentos com gráficas, fechamento do arquivo e muuuitos outros detalhes…

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Esse trabalho de gerência é o básico. A pessoa que já é safa conhece os colaboradores todos, seus gostos e seus autores prediletos, e quase sempre sabe para quem passar cada livro por ter um determinado estilo. O ideal é estar a par de tudo o que acontece com a programação do ano inteiro; isto é, saber em que pé está cada livro, ou seja, qual etapa editorial, quem é o autor, qual a história, se o livro vai seguir a capa estrangeira ou se vai precisar encomendar uma nova… E ainda tem a questão dos prazos. Não é só mandar os trabalhos todos pra fora e não ficar de olho se já foi entregue ou não. Tem que fazer planilhas e pagamentos. Eu sou daquelas viciadas em planilha. Quanto mais completa, melhor. Organização é fundamental. E agilidade. Muita agilidade com direito a redundância. Acho que sem isso você não sobrevive.

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Também é muito importante para a função ter conhecimento de inglês, projeto gráfico, editoração, sobretudo do mercado editorial… há coisas que são imprescindíveis, outras acredito que se aprende melhor com a prática e ninguém é obrigado a nascer sabendo. Entretanto, quanto mais você tem a acrescentar, mais você pode contribuir para o sucesso de um livro.

As editoras costumam já ter um processo automático então é bacana você levar ideias, formatos diferentes, novos acabamentos e ousados… por isso é necessário que o editorial conheça muito bem os títulos. Ele pode até sugerir, quando apropriado, ações de marketing e materiais promocionais. Se puder conciliar, essa parte pode ser muito divertida. É uma maneira até de se soltar um pouco, desestressar quando algum colaborador atrasa o trabalho, sabe, e você quer arrancar os cabelos, essas coisas…

Enfim… Esse é um resumo dos resumos, porque, por incrível que pareça, em oito horas por dia, a gente consegue fazer tudo isso e mais um pouco. E nem cheguei a comentar dos textos de capa, do contato com os autores, do recebimento de originais, das reuniões, dos eventos, das feiras…

Ufa! Quanta coisa! Mas é bom demais! <3

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Trabalhar com livros é a melhor coisa que existe no mundo! Se você se interessa pela área, sugiro ler muito, escrever muito, participar de eventos como Clube do Livro Saraiva, outros clubes, encontros de fandom, muitas idas à livraria… Ah! E buscar uma faculdade de produção editorial e/ou letras para se profissionalizar.

Boa sorte!