Malévola

Essa resenha contém (alguns pequenos) spoilers!

Era uma vez, há muito tempo atrás, uma jovem fada com asas enormes e imponentes chamada Malévola. Ela era protetora do reino dos Moors, onde todas as criaturas mágicas viviam em harmonia. Próximo aos Moors estava o reino dos humanos, governado por um rei velho cuja ambição era dominar o reino dos seres mágicos e possuir todas as suas riquezas.

Um dia Stefan, um menino, foi encontrado tentando adentrar os Moors e acabou se tornando amigo de Malévola. Com o passar dos anos, a amizade acabou se transformando em amor… Mas Stefan, dominado pela ambição tão comum aos humanos, deixou a amada de lado para trabalhar para o rei. No leito de morte, o rei ofereceu o trono para quem matasse Malévola, que sempre o derrotava nas batalhas entre reinos. Para se tornar rei, Stefan vai até os Moors, droga Malévola e corta suas asas fora – PÉRA, QUÊ?

A cena pode ser facilmente interpretada como uma metáfora para o abuso sexual: a mocinha confia no mocinho, ele a droga e a violenta enquanto dorme. Ela, quando acorda, se encontra dolorida física e moralmente, com uma parte de si mesma faltando. A sequência é assustadoramente dura, com direito a gritos desesperados de Malévola ecoando no silêncio. E isso é motivo mais do que suficiente para ela, ferida, querer se vingar. Quando se passa por uma violência muito grande, é natural transformar a dor em ódio: nada mais do que um mecanismo de defesa.

Não é muito igual a do desenho?

Não é muito igual a do desenho?

O filme ainda aponta vários defeitos de filmes clássicos da Disney ao ironizar o “amor à primeira vista” e questionar a falta de consentimento quando um príncipe salva uma princesa adormecida com um beijo. Não vou entregar tudo, mas é refrescante uma história da Disney sem ódio entre mulheres, que celebre a fraternidade em vez da competição.

A Malévola de Angelina Jolie é incrível, capaz de imitar trejeitos da personagem da animação e, ao mesmo tempo, transmitir a humanidade necessária para permitir nossa identificação. (Inclusive, uma curiosidade interessante: Vivienne, a filha mais nova de Angelina e Brad, faz uma aparição MUITO fofa no filme, como a Aurora criança. Prestem atenção na cena em que Aurora pede colo a Malévola!)

Jolie e sua filhota!

Jolie e sua filhota!

Malévola é uma história sobre o sofrimento histórico das mulheres e o reencontro do poder dentro de si mesmas. É muito mais do que a história não contada de uma vilã – é um grito feminista para a nova geração.

Post escrito por: Larissa Braga