Guerra dos Spoilers

Semana retrasada, no domingo dia 13, passou o segundo episódio de Game of Thrones. Como não tenho HBO, não pude ver junto com o restante do mundo. Vi no dia seguinte, na casa do namorado (ele é esperto e assina o canal), quando reprisou. Como dormi cedo no domingo, nem vi os comentários da galera na internet. Somente na segunda, numa discussão em um grupo de whatsapp, que soube o quanto o pessoal abusou dos spoilers no Twitter e no Facebook e no Tumblr e whatever. Antes de sequer abrir o Facebook, já sabia que 50% da timeline só falava sobre isso. E eu ainda nem tinha saído da cama. Quando cheguei no trabalho mais tarde, liguei o computador e abri as abas do Chrome costumeiras; uma delas, Facebook. Antes de scrollar o mouse, hesitei. E isso me fez pensar em algumas questões envolvendo o (maldito!) spoiler.

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Para quem não sabe, spoiler, resumindo, é quando a pessoa conta o que acontece em uma história; livros, filmes, seriados… Ou seja, ela estraga o elemento surpresa para quem ainda não viu ou leu a obra em questão. Não precisa ser necessariamente o final, qualquer cena vale. Há quem não se importa com isso, mas, na maioria dos casos, quem escuta o spoiler fica bem chateado. E com toda a razão, vamos combinar.

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E o pior de tudo é que todo mundo conhece alguém assim, não é verdade?

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Eu sou daquelas que AMA o elemento surpresa. Spoiler, pra mim, é fatal. E fico realmente triste quando descubro, sem querer, coisas relevantes da série ou filme que tenho interesse. Eu até entendo que a empolgação fale mais alto e a pessoa não se segure na hora de contar o que achou disso ou daquilo, mas acho que não saber a hora de parar é agir desrespeitosamente. Não custa nada perguntar se a pessoa já viu e alertar o spoiler – que está a caminho – antes de começar a falar. Por isso, quando acontece, acho que a pessoa faz de propósito…

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Outro dia, conversando com uma amiga do trabalho, ela me disse que não se importa com os spoilers, porque acredita que o grande tchan não é saber o que acontece e sim como a história é desenvolvida; acompanhar o processo e o “durante” até chegar o momento do tal “spoiler”. Acho que isso funciona muito bem nas histórias verídicas. Quando a gente sabe o final e está bem mais interessado na maneira como a história é contada, tipo Titanic. Mas, quando se trata de algo totalmente original, não consigo, de jeito nenhum, achar tranquilo saber antes da hora o final ou uma das partes relevantes.

Gosto de ter minha opinião, minha visão da coisa, compreender e “julgar” por conta própria. Quando alguém conta um spoiler não é só a cena ou o final que é arruinado, sua interpretação dela(e) também, porque a pessoa vai incutir a própria opinião, sentimento e definição para aquele assunto. Ou seja, você perdeu sua chance de assistir/ler, absorver e chegar a uma conclusão, antes de sequer iniciar a conversa com alguém.

all the spoilers

Desde que me lembro, acredito que a surpresa faz parte da opinião. E, sem ela, a graça se perde, mesmo que às vezes de forma sutil. Não é bem do emocional que estou falando, porque acho interessante tentar ser “cético” para opinar, e discordar até de si. Algum filósofo, que obviamente não lembro o nome – minha memória para essas coisas é uma porcaria -, já falou sobre isso; que a partir do ceticismo se chega na verdade. Embora “verdade” não seja bem o caso, pois estamos falando de opinião, mas enfim… você chega na sua verdade, anyway.

O engraçado é que o spoiler, apesar de eu tê-lo resumido ao extremo no início do post, não é nada simples. Um dos amigos, desse grupo de whatsapp que comentei, diz que, para ele, comentar se achou o filme bom ou ruim, se dizer que gargalhou ou chorou, já é um spoiler. Alguém mais se sente assim? Adoraria saber. É interessante essa questão, porque nós somos rodeados por opiniões preliminares como essas o tempo inteiro; acho meio impossível fugir delas… deve ser um tanto irritante para a pessoa, não? Como alguém estraga a experiência de uma outra pessoa só por dizer “eu gostei”?

Não dá pra dizer que spoiler é um assunto preto e branco, está mais para arco-íris (hehehe). Cada um sabe o que mais incomoda e o que “dá pra aceitar”, a única coisa que acho que todos deveriam respeitar é o alerta de spoiler. Seja por telefone, por whatsapp, por Twitter ou por Facebook. A pessoa não tem como saber que você está prestes a estragar uma experiência única. É uma delícia ser avisado e poder escolher ou não escutar/ler o spoiler. A escolha passa a ser sua. E isso faz toda a diferença.

E, afinal, como saber o que é um spoiler? Quanto tempo depois de uma obra já se pode falar sem preocupação sobre ela? Só porque é antiga todo mundo deveria conhecê-la? E domínio público? Livros que viram filmes? O.O Difícil. Cada um vai defender o seu tipo de spoiler, e ninguém tá certo ou errado. Como eu disse… é uma questão de escolha. Contanto que você ofereça essa escolha para a pessoa, todo mundo sai feliz. Acho que, assim como Twitter, não existem regras. Cada um dita a sua.

spoiler alerta

CALMA! É só uma imagem! Não vou contar nenhum spoiler de nada, prometo!

E todo o post de hoje foi para dizer que eu consegui fugir do mega-hiper-ultra-superspoiler a respeito do segundo episódio de Game of Thrones. Acabei entrando no Facebook naquele segunda-feira, mas vi apenas coisas rápidas e notificações e me mantive longe de “acidentes”, ufa!

E, quando finalmente assisti o episódio, tive aquilo que eu tanto prezo e amo e repito sempre: o elemento surpresa. <3

E vocês? Se importam tanto assim com spoilers ou são mais desapegados que eu?

PostAutorVivi