Amigos até que provem o contrário

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Assisti a um vídeo que fala do quanto a tecnologia voltada para redes sociais e relacionamento nos transforma em pessoas mais solitárias. Essa discussão é meio velha, mas parece que não se esgota, né? Estamos cada vez mais sozinhos ou não? Não é fácil responder a essa questão , nem acredito que seja possível. Acho que, de alguma forma, em algum nível, a pessoa pode até se sentir solitária, sim, mas não dá para dizer exatamente por quê. Não é de hoje que muitos se sentem dessa forma, nem é só por causa da internet, mas vamos focar no assunto redes sociais por ora.

Os argumentos do vídeo mexeram comigo a ponto de eu me identificar; e olha que sou a primeira a defender Twitter e Facebook em prol da comunicação. As redes sociais dão uma falsa ideia de amizade, e o valor que se agrega hoje à quantidade é bem maior que à qualidade; mas isso acontece em tudo, vamos combinar. Eu não me iludo com o número de amigos que tenho na minha conta de Facebook, pois sei exatamente quem são e quantos são, na realidade. No entanto, a facilidade de falar com todos os 1.000 em tempo real contribui para a sensação de que as pessoas estão disponíveis para você, quando, na verdade, elas estão tão disponíveis como sempre estiveram na vida offline, ou seja, não se engane.

Não duvido que muita gente deve ter estranhado uma mensagem minha de “oi, tudo bem?” depois de meses sem se falar ou se encontrar. Se a gente não se fala há meses ou anos ou nem se conhece direito fora do mundo virtual é porque há um motivo para isso. Ou nunca existiu afinidade, ou não sabemos o que falar um para o outro, ou simplesmente uma ou ambas as pessoas não estão interessadas em saber como vai a vida do outro. Ninguém precisa gostar de todo mundo, ser tão próximo, do tipo íntimo “se precisar do meu rim, é seu, cara”. Cada um tem seu ciclo de amizades, e ele não precisa ser enorme. E nada impede de um desconhecido se tornar melhor amigo e um amigo se tornar um desconhecido… isso acontece também.

E é exatamente aí que as redes sociais enganam: dão a falsa ideia de que as pessoas são íntimas só porque elas compartilham coisas que gostam de fazer, ou o que sentem. As relações não são assim tão… instantâneas. Uma amizade se constrói. Confiança a gente ganha com o tempo.

E é engraçado que isso está diretamente ligado ao que se posta na internet. Se você não curte, não compartilha, não opina, você não existe, não é alguém, não se faz popular e, portanto, não é importante. Acho que é aí que entra a solidão… Esse sentimento de satisfação, de ter uma presença digital forte, as fotos e os rastros da parte divertida da vida se transformam em doses de dopamina, substância dos prazeres imediatos. Tornou-se uma obrigação ser aceito por estranhos, conhecidos, colegas e amigos, quando, na minha opinião, a única aceitação que deveria importar é a própria. Antes de postar algo talvez seja importante se perguntar: “Se ninguém curtir eu vou ficar triste? Eu preciso que as pessoas curtam essa foto para eu me sentir bonita(o), inteligente, aceita(o)?” Se a resposta é não, vá em frente.

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Não acho que a solidão tenha a ver com a distância física, e a internet já provou por A + B que ela aproxima as pessoas ao invés de afastá-las. Acho que o grande vilão é o comportamento; o que no mundo virtual fica mais em evidência por estar exposto a mais pessoas ao mesmo tempo.

A capacidade de se abrir, de expressar seus sentimentos, de agir com espontaneidade, de ser você e não ter medo de admitir que ainda não formulou uma opinião sobre determinado assunto; isso se perde no oceano de doutores que habitam o Twitter ou no Tribunal do Facebook. E são posturas falsas e incoerentes desses meios que criam obstáculos e me impedem de querer uma aproximação maior com determinadas pessoas.

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Por outro lado, claro que é bacana rever pessoas com quem há muito perdi contato, e a tecnologia proporciona esse reencontro. De vez em quando, tento me reaproximar mandando um “oi” singelo e espero a resposta… ou um “lembrei de você quando vi essa matéria”, enfim. Algumas vezes funciona, outras não. Paciência.

A questão é: virtual ou não, não existe mundo onde se possa administrar + de MIL amigos em apenas uma vida. Querendo ou não, não posso manter todas as amizades para sempre, ao mesmo tempo. As pessoas são importantes, cada uma tem sua característica única, e penso nelas com carinho, mas elas vêm e elas vão. Acho que quem mais sofre de solidão por conta das redes sociais são aquelas pessoas que acham que é possível “ter” tudo e todos sempre.

Acho que apenas regar as amizades daqueles que te dão valor é o que faz a vida mais completa. Os amigos vão continuar indo e vindo sem perderem sua importância. Guardo todos na memória e no coração e sinto falta de cada um, como sinto de muitas coisas do passado, mas sei que, mesmo com o Facebook, Twitter e derivados, há pessoas com quem provavelmente nunca mais terei contato, e não me iludo em achar que posso contar com essas mil pessoas adicionadas como “amigos”, caso tenha alguma emergência financeira ou de saúde. É bem provável que eu possa contar com todos quando ganhar na loteria, mas não coloco minha mão no fogo nem nesse caso.

E é isso. Compartilho com vocês esse sentimento, sem medo de admitir o que penso, não porque quero uma dose de dopamina, mas porque existo com ou sem este post, internet ou rede social e também porque queria espalhar um pouquinho mais de amor pra ninguém se sentir solitário.

Ah, e o vídeo (não tem legenda) para quem quiser assistir:

Desafio Picr

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O Picr é um aplicativo de fotos muito legal. A ideia é que ele seja o seu novo diário. Todo dia ele te lembra de tirar uma foto no horário determinado por você e assim dá pra fazer um acompanhamento da sua rotina através das imagens registradas.

Como eu adorei o #100happydays, resolvi criar um novo desafio, o #desafiopicr. Como eu trabalho em escritório durante a semana, escolhi registrar as fotos todos os sábados e domingos, às 17h. Faz parte do desafio postar as fotos no instagram, para vocês acompanharem a rotina dos meus finais de semana! Oba!

O desafio vai durar 20 semanas, que é o número exato de finais de semana até o fim do ano. E se gostarmos muito da brincadeira, posso recomeçar em 2015.

O que vocês acharam? Gostaram da ideia?

Proibido dissertar sem dissecar

eu com livros

Hoje, resolvi falar de uma das coisas que mais amo neste mundo: LIVROS! <3

Quem nunca ouviu e/ou disse a frase “li este livro em apenas dois dias!” que atire a primeira pedra. Perdi a noção de quantas vezes escutei isso! Já refleti muito sobre o assunto no passado e cheguei à conclusão de que ler rápido não pode ser bom. Tudo depende, é claro, do propósito da leitura, mas não consigo ver vantagens na leitura superficial. Você consegue?

Eu não tive, infelizmente, um professor específico, um mestre, que tenha me ensinado as vantagens de se ler devagar, de ir além do significado de cada palavra, de degustar o texto e de enxergar o que há por trás das linhas. Alguns professores tentaram, embora com outras palavras, mostrar a importância disso, mas acho que a gente só entende quando tenta. Sabe? Sublinhar. Escrever ao lado. Realçar partes do texto. Só caiu a ficha pra mim de como isso funciona quando eu fui lá e fiz. E olha que eu sempre tive dificuldade de “sujar” o livro com anotações. Acho que é por isso que demorei tanto pra aprender “a ler de verdade”. Acabei descobrindo a pólvora sozinha, mas aprendi. É o que importa.

Num curso preparatório, tive um professor de português que amava semântica. Ele conhecia a origem de todas as palavras do mundo, sem brincadeira. Era um dicionário etimológico ambulante. Ele amava os significados, os significantes; destrinchava as ramificações da língua e sabia latim melhor que o Papa. Me admira muito que eu não tenha aprendido latim ou grego, mas, apesar de na época não ter dado muito valor, hoje acho fascinante – não o latim, a etimologia (quem dera eu saber latim!) – e entendo perfeitamente a paixão dele. Eu era meio cega para as oportunidades. Acho que tudo tem sua época, né?

Na faculdade, tive uma professora, também de português, que pedia para buscarmos referências, traçarmos comparações e origens dos assuntos a fim de entender melhor o texto. Em outras palavras, eu precisava entender o passado, o presente e o futuro do que estava sendo dito a fim de compreender para sequer começar a falar sobre ele. Era proibido dissertar sem dissecar.

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Pode parecer algo óbvio a ser feito, mas quando se trata de livros de ficção acho que nem todo mundo vê dessa forma. Afinal, uma história é uma história… com começo, meio e fim, na maioria das vezes, e não há nada mais que precisamos saber sobre ela, certo? Nope. Negativo. Não posso afirmar que todo autor faz isso, mas acho que há muito o que descobrir nas entrelinhas; mil e uma histórias dentro da principal, ditas ou não ditas, basta que o leitor esteja disposto a percebê-las.

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Confesso que nem sempre posso destrinchar os livros que leio; alguns faço até sem perceber pela força do hábito; outros não conseguiria nem se quisesse – no trabalho, nem sempre dá tempo. Apesar disso, considero a degustação obrigatória. Juro que, depois da primeira vez, que pode ser bem lenta e confusa, esse hábito se torna prazeroso e só faz você querer ler mais e mais obras.

Por que o autor optou por escrever em vários pontos de vista? Por que ele apresentou o personagem primeiro e depois a cena? Por que os personagens são crianças, mas a linguagem é adulta? Por que as palavras são rebuscadas nas descrições, mas no diálogo não? Por que isso foi citado aqui? Por quê?

Essas são algumas das perguntas macro, mas há milhões de outras: sobre a história, sobre cada personagem, sobre as palavras usadas, sobre o estilo do autor… Livros são obras. São feitos para se ler, em todos os sentidos da palavra.

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Numa exposição de arte, quadros e pinturas, as pessoas não param e refletem sobre a obra? Discutem cor, forma, estilo, época; criticam a ordem, traçam referências e comparam tendências. O livro é uma arte e, na minha opinião, deveria ser tratado como tal.

Nem todo mundo precisa encarar os livros como um dissertação, mas é importante ter em mente o que se perde da leitura se a decisão tomada for de apenas lê-los superficialmente, sem esforço. É isso o que penso.

E você? Gosta de ler devagar ou rápido?